domingo, 8 de novembro de 2009

SONETO EM PARTE



Sei que parte de mim se perdeu
E hoje eu já não sei onde encontrar
Hoje, parte de mim não sou eu
Pois saí, não lembrei de voltar

Mas em parte do peito ainda resta
Outra parte da parte de mim
Que num parto por parte da fresta
Se partiu de outra parte por fim

E se não mais puder recordar
Quem eu fui quando a vida findar
Saiba parte de mim restará
Na gaveta ou embaixo da cama
Ou no peito de alguém que reclama
Por lembrar do meu doce penar.
Wandson Padilha
10/01/2009
Senhor do Bonfim- BA

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

"Privatizaram sua vida,
seu trabalho, sua hora de amar
e seu direito de pensar.
É da empresa privada o seu passo
em frente, seu pão e seu salário.
E agora não contente querem
privatizar o conhecimento,
a sabedoria, o pensamento
que só a humanidade pertence"

Bertold Brecht

domingo, 6 de setembro de 2009

E PASSA O TEMPO...
























Já faz tempo que passa o tempo
Passa o tempo, não passa por mim
Já faz tempo que vejo que o tempo
Simples passa, não chega ao fim

E de tanto o tempo passar
Sem que eu passe e aqui permaneça
Eu percebo que hei de ficar
Ficar louco, perder a cabeça

E procuro no corpo outra parte
Seja em mim ou em outra pessoa
Um motivo pra que não descarte
A esperança que ainda ressoa

De talvez ver o tempo passar
E com ele avistar outro mundo
Mundo este onde o tempo nao corra
Nem me leve com ele pro fundo

Ou que leve, mas lá eu encontre
Um motivo pra nao me importar
Com o tempo, se hoje ou foi ontem
Que te vi rumo a morte a vagar.


Wandson Padilha
31/08/2009
Petrolina-PE

sábado, 15 de agosto de 2009

POEMA DE LÁGRIMAS QUENTES


















Hoje é um daqueles dias
em que o poema sai facilmente
e as letras que antes verias
são borradas por lágrimas quentes.

Ao lembrar de um alguem que distante
Faz tal falta que o peito corrói.
E não deixa nem por um instante
de atinhar a cabeça que dói.

Só queria te ter ao meu lado
Nos meus braços ver-te adormecer
Acolher o teu corpo cansado
Do planeta eu iria esquecer.

Pena que isto tudo não passe
De ilusão que o coração não cansa.
Pois se ao menos esse alguem te amasse
Poderia haver esperança

Mas insisto, eu nunca descanso
e o tremor que meu corpo percorre
Faz doer o meu coração manso
e voce nem sequer me socorre.

Eu queria sentir tua boca
e acariciar teus cabelos
Ter-te santa e ao mesmo tempo louca.
Acabar todos meus pesadelos

Muitas vezes então já pensei
Que o que sinto não seja amor
Se não for, então eu já nem sei
o que causa toda a minha dor.

Se um dia morrer sem sentir,
nem amor, nem sequer devoção
Pro inferno sei que posso ir
pois então não terei salvação.



Wandson Padilha
02/02/2006
Salvador-BA


E por que três anos não fazem os seus pensamentos mudarem? Mesmo em outros lugares, mesmo com outras pessoas, voce continua sendo o mesmo e seus sentimentos não mudam de forma, somente de direção...

quarta-feira, 5 de agosto de 2009


Porque as vezes a lágrima no rosto alheio dói tanto quanto no seu,

e sua vontade é de poder tomar pra si um pouco daquela dor

pra tentar amenizar o sofrimento do outro.

Pra tentar evitar que mais lágrimas caíssem por trás das lentes escuras que tentam esconder, sem muito efeito o sofrimento.

E o coração fica apertado, talvez por não comportar tamanha tristeza, e pela incapacidade de solucionar o problema.

E de-repente já não mais se pode evitar que ambos os rostos sejam tomados por tal líquido salgado, e já não mais se quer evitar o pranto, pois só ele tem uma capacidade, mesmo mínima, de esvaziar um pouco o coração sofrido...

sábado, 25 de julho de 2009

SAUDADES

E nas frases que ela escrevia
em seus braços, pedaços haviam
de um passado já não tão distante.
Diferente do que era antes.

Sob os pés no lugar que passava
Percebia que algo restava
Um pedaço de alguém já bem próximo
Infestado de angústia e de ócio.

E o tédio tanto a perseguia
Pois a tanto já não mais sabia
Se encontrar ou voltar ao passado
A um sonho aparente enterrado

Não sabia sequer o motivo
Pra um lembra que tão repetitivo
A levava onde nunca estivera
A um passado de sonho e quimera

Um passado que nunca existiu
A lugares que ela nunca viu
Mesmo assim tinha tanta saudade
Do que não teve: a felicidade.

Wandson Padilha
27/01/2009
Petrolina-PE

segunda-feira, 20 de julho de 2009

DIA DO AMIGO


Lembro quando a gente sentava

ao redor do violão

era o fim da solidão

entre os amigos


Hoje jah faz tanto tempo

que isto tudo aconteceu

e a lembrança nao morreu

guardo comigo


Ainda lembro aqueles dias

onde em pleno verão

ouvimos a previsão

q nao se cumpriu.


Hoje apesar da distancia

a amizad continua

E se ando pela rua

lembro voces


Entao pego o telefone

quero matar a saudade

lembrar da amizade que

soh nos fez crescer


Que pra sempre vai durar

E quando a gente partir

Soh uma sigla vai se ouvir:

TLBD
Falar de amizade sempre traz em mim um misto de nostalgia e felicidade.
É tão bom lembrar dos grandes amigos, aqueles com quem a gente realmente pode contar e quem tornam nossa vida melhor só no simples pensamento, num simples recado, numa pequena conversa, mesmo na distancia , diferença e dificuldade.
Pra meus amigos...FELIZ DIA DO AMIGO e brigadão por existirem....

segunda-feira, 13 de julho de 2009

DIA MUNDIAL DO ROCK


Aaahh, o Rock!!!!

Fiel companheiro dos meus anos de adolescência, aquele que quase sempre me entendia plenamente e me fazia me sentir mais ousado, liberto e corajoso.

O que seria de mim sem o bom e velho rock'n roll???

Ele que embalou romances, amizades e pensamentos durante toda a minha tenra juventude.

Como é bom lembrar do tempo em que o rock guiava os meus passos.

Como é bom recordar aquele que até hoje me acompanha em todos os momentos do dia.

Aquele hoje nem tão valorizado,mas ainda um dos melhores .


O bom e indescritível Rock'n roll !!!!

sexta-feira, 3 de julho de 2009

PRETO E BRANCO

Eu hoje acordei, sorrindo em preto e branco.
Achei estranhas todas as cores a minha frente.
Senti vontade de derramar um alvejante sobre o mundo ou quem sabe xerocá-lo pra que simplesmente tudo se tornasse mais parecido com um filme antigo.
Não queria mais ouvir as vozes das pessoas,apenas ler abaixo da "tela" legendas inenarráveis.
Ao fundo já ouvia uma música que bem poderia ser a trilha sonora de um cinema mudo.
Entretanto não queria conhecer vilões(apesar de sempre preferí-los aos protagonistas).
E tão mais satisfeito ficaria, se o dia terminasse com um belo final feliz.

domingo, 14 de junho de 2009

SAMBA EM DESACORDO


Como não sei ao menos sambar

gosto do carnaval, mas nem tanto.

Eu prefiro outra festa esperar,

São João ou qualquer outro santo.


Mas eu também não danço forró,

nem quadrilha ou baião tampouco.

Hei de encontrar diversão melhor

Pra mim tudo isto é coisa de louco.


Mas talvez se dançares pra mim.

Me encantares com teu rebolado.

Me envolveres com seda e carmim

É possível que eu fique calado.


Ou quiçá num milagre sem fim.

Talvez possa até vir a gostar.

Entre beijos,confete e cetim

Você vai me ensinar a sambar.




Wandson Padilha

09/01/2008

Senhor do Bonfim-BA

domingo, 7 de junho de 2009

O Sol da meia noite






Pela janela o Sol já parecia querer se pôr, mas um certo tipo de força um tanto quanto estranha o obrigava a permanecer o maior tempo possível ali, na linha do horizonte. Bem à minha frente, de modo que eu pudesse continuar admirando-o, de modo que ele continuasse me observando, e parecia que assim permaneceríamos dias e dias, nos observando à distancia como um tímido casal com vergonha de se aproximar um do outro. As poucas nuvens que restavam aos poucos se afastavam como se o Sol, rei absoluto, ordenasse a todos os seus súditos que abrissem espaço para o nosso inevitável encontro. O mar a minha frente fizera cessar suas constantes ondas e parecia ter se transformado num tapete, me convidando a caminhar ao encontro daquela luz fascinante. E aquele instante parecia se tornar eterno. Os girassóis não mais girariam e a lua seguiria surgindo, se escondendo e ressurgindo, só para de longe observar com uma pontinha de ciúme aquele belo romance que acabara de surgir. Sim, eu já fora um dia um tanto quanto apaixonado por ela ,e a minha recente nova admiração não diminuiria o que sentia por ela. Mas o que nos obriga a amar exclusivamente uma única pessoa pela eternidade?


O dia já começava a nascer novamente e o Sol nem se quer se deitara para dormir, continuava ali, naquela doce e estranha brincadeira comigo. Os jornais já anunciavam as mais mirabolantes explicações para aquele estranho fenômeno. Nas bancas de jornais as manchetes anunciavam: O Dia em que o Sol não se pôs. As pessoas comentavam assustadas pelas ruas "É o fim do mundo", outros apenas respondiam "Que nada, isso é efeito do aquecimento global". E ali parado eu permanecia, rindo por dentro por ser o único a saber o que realmente acontecia. Com um orgulho inebriante e egoísta de quem jamais permitiria ao Sol novamente se pôr...

quarta-feira, 20 de maio de 2009


E mesmo que o amanhã seja ontem

Ou que o ontem seja o mês que vem

Hei de permanecer estanque e inquieto

Posto que o teu sangue em pó ainda mancha

os lençóis de uma cama esquecida,

de uma fronha que cobre os sonhos

largados à mercê da empregada que

já empurrou pra debaixo do tapete

todos os cacos de vida que deixaste

espalhado pelos cantos da casa

E dentro do armário ainda guardo

o tecido da tua pele

Que nem o tempo com suas garras de dragão insone

há de rasgar ou envelhecer.

Sobre a mesa ainda está o resto do vinho,

batom e saliva em um copo de extrato

de onde extraí o que pude de ti.

Debaixo da cama ainda resta uma meia

com o meio de mim e a lembrança inteira

da saudade que ainda carrego no peito.

E espero um dia quem sabe

remir a minh'alma da tua.

Das frases remoques que ainda

permeiam meus sonhos.

Parcos sonhos que vez ou outra vencem

a insônia que me deixaste ao partir.

E além da insônia, dos cacos,tecido,

do copo ou do sangue só resta a vontade

de um dia te ver novamente.

E já não pretendo fazer-me longevo

pois não me interessa o amanhã ou depois.

Só o que pretendo é deitar-me na cama,

e assim como o teu ver meu sangue jorrar.

Me levar pra um lugar que nem sei se existe.

Mas já não me importa se tenho a certeza

que irei te rever,viver ou morrer ao teu lado.

Ao lado de um sonho distante e remoto

Que há tempos permeia minhas vagas lembranças.

Lembranças de alguem que nem sei se existiu...

sábado, 16 de maio de 2009

Pedinte, violão e nostalgia


-Pode me dar três minutos de sua atenção?!
Essa fora a primeira frase dita entre aqueles dois que pertenciam a mundos tão diferentes e tão parecidos ao mesmo tempo. O primeiro, um jovem andarilho do sertão pernambucano que dormia sob a marquise de uma agência bancária. O segundo, um ainda mais jovem estudante de medicina oriundo do interior da Bahia.
Naquele dia, ambos estavam solitários, próximos ao rio, e Rômulo assistira pacientemente a peregrinação de Juarez mesa após mesa, sendo ignorado veementemente a cada tentativa de aproximação com os clientes da lanchonete. Em uma das mesas , uma criança brincava e seus cachos dourados voando sob a brisa do rio lembravam um pequeno querubim;Juarez tentou se aproximar para brincar com o pequeno, mas o pai do garoto o puxou tão rapidamente como se o simples contato com o mendigo pudesse provocar a mais grave das doenças na criança. E foi assim mesa após mesa que Juarez chegou aonde Rômulo esperava sozinho por seu pedido. Juarez se aproximou, pediu uma ajuda e explicou pacientemente a sua situação a Rômulo, que atentamente o escutava. Terminada a explicação, Rômulo pagou um lanche para o rapaz, que com os olhos cheios de lágrimas agradeceu repetidamente por ter sido Rômulo a única pessoa a ter lhe dado atenção naquele dia, agradeceu e se dirigiu ao outro lado da rua, onde uma roda de garotos vestidos de preto tocavam violão e cantavam músicas antigas.
Aquelas músicas traziam ao jovem estudante um ar nostálgico que ele adorava, sempre gostou de relembrar o passado, sobretudo quando as lembranças eram boas. Sentiu saudades dos tempos da escola , quando se reunia com os amigos na praça para tocarem e cantarem horas a fio sem se preocupar com o que viria a acontecer no dia de amanhã. Não diria que "era feliz e não sabia" , como sempre citaria o velho chavão. Sim, ele sabia que era feliz, e sabia que um dia sentiria falta daquilo, mas não queria que esse dia chegasse tão depressa! Sentiu vontade de se aproximar da roda e passar o resto da noite ali, fingindo que aqueles eram seus velhos amigos, fingindo que o tempo poderia voltar um pouco, fingindo que seu mundo ainda era o mesmo de anos atrás, fingindo que não tinha nada com o que se preocupar, fingindo que a beira do rio era a mesma praça onde anos atrás passava suas noites, fingindo que sua mãe o esperava em casa para recebê-lo chateada por ele ter chegado tarde.
Mas sabia que não podia, aqueles não eram seus amigos, sua mãe estava a quilômetros de distância em pleno dia das mães, aquela não era sua praça e sim, ele tinha com o que se preocupar. Decidiu voltar pra casa e estudar para a prova da manhã seguinte. Passara o resto da noite lembrando da triste figura de Juarez, algo lhe dizia que logo logo voltaria a encontrá-lo e que de algum modo dali pra frente sua vida jamais seria a mesma.