quarta-feira, 5 de agosto de 2009


Porque as vezes a lágrima no rosto alheio dói tanto quanto no seu,

e sua vontade é de poder tomar pra si um pouco daquela dor

pra tentar amenizar o sofrimento do outro.

Pra tentar evitar que mais lágrimas caíssem por trás das lentes escuras que tentam esconder, sem muito efeito o sofrimento.

E o coração fica apertado, talvez por não comportar tamanha tristeza, e pela incapacidade de solucionar o problema.

E de-repente já não mais se pode evitar que ambos os rostos sejam tomados por tal líquido salgado, e já não mais se quer evitar o pranto, pois só ele tem uma capacidade, mesmo mínima, de esvaziar um pouco o coração sofrido...

Um comentário:

Lívia disse...

Ando com dificuldades para chorar por mim. Mais ver uma lágrima apontar no rosto alheio é tiro e queda. Me entrego ao sofrimento do outro inevitavelmente.
Outro dia, enquanto esperava um ônibus para Bonfim, notei a presença de uma menina chorosa. Ela, com jeitinho de quem não queria, entregava as malas pesarosamente ao funcionário encarregado. Ao mesmo tempo, insistia em fitar a mãe - que ficaria em Juazeiro -. As duas acenavam constantemente, enquanto lágrimas saltavam descontroladamente daqueles olhinhos solitários. Não vou esquecer aquela cena. Senti na pele aquela dor. A garganta doeu, os olhos arderam e lubrificaram-se rapidamente, e eu, em um gesto rápido tratei de engolir o choro: Não queria tornar aquele ambiente mais triste ainda para a pobre. Perguntei a mim mesma: Por que cargas d'água sinto uma vontade tão grande de chorar, se ao contrário dessa criatura, estou indo ao encontro da minha mãezinha? Mistério. Talvez eu guardasse um pouco daquela menina comigo. " Tenho apenas duas mãos, e o sentimento do mundo" Vai ver, alguns têm um pouco disso. (Entre eles, eu e você)

;)