
E mesmo que o amanhã seja ontem
Ou que o ontem seja o mês que vem
Hei de permanecer estanque e inquieto
Posto que o teu sangue em pó ainda mancha
os lençóis de uma cama esquecida,
de uma fronha que cobre os sonhos
largados à mercê da empregada que
já empurrou pra debaixo do tapete
todos os cacos de vida que deixaste
espalhado pelos cantos da casa
E dentro do armário ainda guardo
o tecido da tua pele
Que nem o tempo com suas garras de dragão insone
há de rasgar ou envelhecer.
Sobre a mesa ainda está o resto do vinho,
batom e saliva em um copo de extrato
de onde extraí o que pude de ti.
Debaixo da cama ainda resta uma meia
com o meio de mim e a lembrança inteira
da saudade que ainda carrego no peito.
E espero um dia quem sabe
remir a minh'alma da tua.
Das frases remoques que ainda
permeiam meus sonhos.
Parcos sonhos que vez ou outra vencem
a insônia que me deixaste ao partir.
E além da insônia, dos cacos,tecido,
do copo ou do sangue só resta a vontade
de um dia te ver novamente.
E já não pretendo fazer-me longevo
pois não me interessa o amanhã ou depois.
Só o que pretendo é deitar-me na cama,
e assim como o teu ver meu sangue jorrar.
Me levar pra um lugar que nem sei se existe.
Mas já não me importa se tenho a certeza
que irei te rever,viver ou morrer ao teu lado.
Ao lado de um sonho distante e remoto
Que há tempos permeia minhas vagas lembranças.
Lembranças de alguem que nem sei se existiu...
3 comentários:
caráleo!
Estou sem palavras!
Seu blog é contagiante!
Vc conseguiu colocar aqui tudo o que tentei fazer no meu!!
Já sou fã!
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