quarta-feira, 20 de maio de 2009


E mesmo que o amanhã seja ontem

Ou que o ontem seja o mês que vem

Hei de permanecer estanque e inquieto

Posto que o teu sangue em pó ainda mancha

os lençóis de uma cama esquecida,

de uma fronha que cobre os sonhos

largados à mercê da empregada que

já empurrou pra debaixo do tapete

todos os cacos de vida que deixaste

espalhado pelos cantos da casa

E dentro do armário ainda guardo

o tecido da tua pele

Que nem o tempo com suas garras de dragão insone

há de rasgar ou envelhecer.

Sobre a mesa ainda está o resto do vinho,

batom e saliva em um copo de extrato

de onde extraí o que pude de ti.

Debaixo da cama ainda resta uma meia

com o meio de mim e a lembrança inteira

da saudade que ainda carrego no peito.

E espero um dia quem sabe

remir a minh'alma da tua.

Das frases remoques que ainda

permeiam meus sonhos.

Parcos sonhos que vez ou outra vencem

a insônia que me deixaste ao partir.

E além da insônia, dos cacos,tecido,

do copo ou do sangue só resta a vontade

de um dia te ver novamente.

E já não pretendo fazer-me longevo

pois não me interessa o amanhã ou depois.

Só o que pretendo é deitar-me na cama,

e assim como o teu ver meu sangue jorrar.

Me levar pra um lugar que nem sei se existe.

Mas já não me importa se tenho a certeza

que irei te rever,viver ou morrer ao teu lado.

Ao lado de um sonho distante e remoto

Que há tempos permeia minhas vagas lembranças.

Lembranças de alguem que nem sei se existiu...

3 comentários:

duas disse...

caráleo!

Nick disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Nick disse...

Estou sem palavras!
Seu blog é contagiante!
Vc conseguiu colocar aqui tudo o que tentei fazer no meu!!

Já sou fã!