sábado, 24 de abril de 2010


E me deito olhando o teto.
Do canto esquerdo uma rachadura parece surgir do nada, logo ao lado
uma aranha tece calmamente sua teia.
Você dorme ao meu lado e me lembro de quão boas foram as ultimas horas.
Desde o Nirvana no som do carro à doce corrida para o encontro com amigos na esquina.
E agora estás ali , a sonhar.
Com o que será que você sonha?
Lembrarás de mim, ou de algum dos nossos passeios sem destino pelas ruas da cidade?
Lembrará dos fins de tarde a caminhar e molhar os pés no rio, da leve sensação da areia entre os dedose de sentir o pé afundando a cada passo, e da vontade de sentí-lo afundar
cada vez mais.
Lembrará do suor dividido noites a fio?
Ou sequer lembrará de mim? Aproveitará as noites de sono e a oportunidade unica de me ter longe para aproveitar-se de outras pessoas.
Lembrará de cada rosto que avistara na praça, ou a beira do rio e colocará em mim esses rostos,
fingindo que não foi comigo que passara todos esses dias e sobretudos essas noites...
onde as pernas já nao mais desentrelaçam e a cabeça já há tanto se perdeu.

2 comentários:

Gabriela Guimarães Cavalcanti disse...

Introspecções nostálgicas desse menino. Ou o reiterado verbo 'lembrar'não é mesmo um reforçar-se, sempre, contra a perda de memória recente?

Unknown disse...

e no final o que resta é a pálida lembrança de um ramar de pernas.