segunda-feira, 21 de junho de 2010

mudança

Cansei disso aqui...

resolvi mudar, quem sabe agora eu n m animo e posto um pouco mais...

kkkk

http://poetadeparede.wordpress.com

domingo, 6 de junho de 2010

NOITE


E ao fim de um pastel pensaram: o que fazer agora? A noite mal começou, voltar pra casa seria um desperdício. Que tal visitar a nossa comunidade agora. Afinal, não conhecemos a vida do bairro a noite.

E saíram , de início pensavam: Mas o que faremos lá a esse hora. Ah, isso o próprio bairro iria lhes dizer.

E seguiram o velho caminho ainda pouco percorrido, porém já tão conhecido. A pouca iluminação em parte do trecho quase os impedira de enxergar o caminho. O farol da moto também não ajudava muito e a estrada de terra totalmente esburacada parecia querer dificultar ainda mais o processo. Enfim, conseguiram chegar ao bairro. Sabiam exatamente o caminho para chegar à Unidade, mas não era aquele o objetivo daquela dupla aquela noite. O objetivo era conhecer a vida noturna daquela comunidade. Vida que nem mesmo diurnamente era conhecida ainda.

O medo do perigo de chegar aquela hora da noite em um lugar desconhecido ainda os percorria, mas não era maior que a curiosidade dos dois, e foi essa curiosidade que os levou a adentrarem o bairro cada vez mais. No inicio casas já conhecidas eram avistadas, aos poucos viam casas mais bem estruturadas, mas ao virarem uma esquina se depararam com uma realidade ainda desconhecida. Em alguns locais a moto praticamente não passava, e era grande o malabarismo para passar pelos buracos e esgotos que encontravam pelo caminho. As crianças continuavam a brincar por todas as ruas que passavam sem sequer imaginar a vida que se passava a poucos quilômetros dali, na mesma cidade em que elas viviam. E a visão das moradias foi se modificando drasticamente, não mais se viam casas de tijolos, apenas casas de barro, rodeadas por cercas de madeira e lama por toda parte. Havia chovido aquela tarde e a pouca água que caíra tornava parte do caminho intrafegável. De dentro das casas gritos se ouviam, com o tempo perceberam que não passava do som alto dos televisores, fiéis companheiros noites a fio.

Nas calçadas muita gente colocava as cadeiras para conversar: senhoras, jovens e crianças ouviam muito provavelmente histórias das juventudes dos mais velhos. Pela cabeça dos visitantes a idéia de parar e conversar, ouvir o que aquelas pessoas tinham a ensinar era enorme, mas a hora do noite, o preconceito muito evitado e o medo do desconhecido o impediam de fazer isso.

E continuaram a rodar, aos poucos perceberam que as casas de pau a pique começavam a escassear. Casas melhores começavam a reaparecer.

Não rodaram muito até chegarem a uma praça onde a vida fervilhava. Crianças brincavam em balanços e cama elástica. Adolescentes jogavam futebol em uma quadra. Nos bancos várias pessoas conversavam, e na esquina um bar derramava festa. O nome do bar? Enchendo e Derramando. Decidiram parar e conhecer o melhor o ambiente (Nada melhor para conhecer uma comunidade do que as historias de bar...hehehehe).

Rodaram um pouco a praça e ao fim decidiram sentar e tomar uma cerveja no bar. E quão interessante foi observar as diferentes figuras e histórias que se encontravam ali dentro. Na porta uma caminhonete com uma enorme tela exibia um DVD de “Nordestinos do Forró”. Lá dentro o som era o responsável pela formação de diversas duplas de dançarinos. Sentaram e pediram uma cerveja. Na mesa ao lado, várias mulheres conversavam animadamente, mulheres de várias idades, das mais novas às mais velhas riam descontraidamente. Imaginaram, provavelmente colegas de trabalho reunidas para alguma comemoração. Algum tempo depois , a idéia da comemoração foi realmente confirmada pela chegada de um bolo e velas. Rapidamente as mulheres se levantaram e começaram a cantar parabéns pra você, é big é big, e o velho com quem será que a Neide vai casar. Sim, era Neide o nome da aniversariante. Os parabéns foram o suficiente para rapidamente dispersar algumas das componentes da mesa. Nem todas foram embora, algumas permaneceram para continuar a curtir a noitada.

Enquanto de um lado do bar, comemorava-se um aniversário, no centro um casal dava um show de dança a parte, uma negra e um senhor de boné dançavam loucamente. As palmas começavam a surgir a cada passo que os dois davam, gritos de um lado, assobios do outro e no meio aquela dupla que não sei como não caíram de tontos ao fim da música.

No outro canto do bar um trio observava toda a movimentação claramente esperando algo. Uma loira, uma ruiva e uma morena dançavam sozinhas a espera de um parceiro que as convidasse para uma dança e quem sabe para algo mais. Aos poucos, senhores começaram a puxá-las para a dança e vez em quando as mesmas passavam por nós em direção ao “banheiro”.

Passados alguns instantes, mais uma mulher chega ao bar chamando toda a atenção para si, vestia uma blusa preta que deixava parte da barriga de fora, um short mínimo e uma meia de arrastão que voltaram todos os olhares para ela. Nos pés, um salto agulha vermelho a deixavam ainda maior. Chegou acompanhada de um cara que aparentava ser o mais provido financeiramente dentro do bar. Talvez nem o fosse, mas fazia questão a todo instante de mostrar que era. Dançava e beijava a tal mulher de modo que todos ali pudessem notar que “ele” mandava no pedaço. Os dois notaram desde o início, muito provavelmente aquelas mulheres estavam ali por dinheiro, claramente faziam programas. E assim seguiram a noite uma cerveja atrás da outra, aos poucos começaram a perceber que as pessoas da mesa da aniversariante conheciam as pessoas da mesa do canto oposto e na saída todos se cumprimentavam cordialmente.

Aos poucos a mesa do aniversário já estava desfeita e algum tempo depois, um cara que passara noite inteira dançando com uma das mulheres do trio citado anteriormente saiu carregando as três. Entraram dentro de um carro e foram embora deixando a conta para ser paga pelo tal senhor que a todo tempo mostrava ser o dono da grana.

Do seu canto a dupla apenas observava tudo o que acontecia, tentando mentalmente traçar o perfil de cada um daqueles personagens que acabavam de conhecer. Não demorou muito até o senhor da mesa ao lado se aproximar da dupla de forasteiros e puxar uma conversa.

Rapidamente se auto convidou para sentar a mesa dos dois. Se apresentou, relatou morar no bairro e ter uma loja de lingeries no centro da cidade. A conversa claramente girava a todo momento em torno de dois assuntos: seu filho e mulheres.

Seu filho, estudava na Universidade Federal do lugar , bem como os dois forasteiros, e segundo o pai era o melhor aluno do curso. O pai possuía um discurso empolgado ao falar do filho, típico de um pai orgulhoso do local onde o filho chegara. Na cabeça de um dos outros companheiros de mesa aquele discurso era bem conhecido. Sabia bem o que era ter um pai orgulhoso, e apesar de não gostar muito dos comentários que o pai fazia a seu respeito (quase sempre exagerados) entendia a admiração que trazia ao pai, também o admirava muito e evitava não gostar daquela atitude do pai, pelo contrário procurava achar bonito.

Quanto às mulheres, o novo amigo relatava ser aquele o melhor bairro para mulheres, sobretudo aquele bar. Segundo ele, todas aquelas mulheres (exceto as do aniversario) lidavam sim com a prostituição, e que o dono do bar era o responsável por “arranjar” todas elas. Segundo ele, todos os caras do bar eram seus amigos e estavam saindo dali pra “sacanagem”.

A noite estava acabando, a conversa estava boa, a cerveja já começava a surtir os seus efeitos mas a dupla precisava ir embora, muita responsabilidade os esperava.

E saíram dali, com uma única certeza, ainda voltariam muito àquele lugar!!!!

sábado, 24 de abril de 2010


E me deito olhando o teto.
Do canto esquerdo uma rachadura parece surgir do nada, logo ao lado
uma aranha tece calmamente sua teia.
Você dorme ao meu lado e me lembro de quão boas foram as ultimas horas.
Desde o Nirvana no som do carro à doce corrida para o encontro com amigos na esquina.
E agora estás ali , a sonhar.
Com o que será que você sonha?
Lembrarás de mim, ou de algum dos nossos passeios sem destino pelas ruas da cidade?
Lembrará dos fins de tarde a caminhar e molhar os pés no rio, da leve sensação da areia entre os dedose de sentir o pé afundando a cada passo, e da vontade de sentí-lo afundar
cada vez mais.
Lembrará do suor dividido noites a fio?
Ou sequer lembrará de mim? Aproveitará as noites de sono e a oportunidade unica de me ter longe para aproveitar-se de outras pessoas.
Lembrará de cada rosto que avistara na praça, ou a beira do rio e colocará em mim esses rostos,
fingindo que não foi comigo que passara todos esses dias e sobretudos essas noites...
onde as pernas já nao mais desentrelaçam e a cabeça já há tanto se perdeu.