domingo, 14 de junho de 2009

SAMBA EM DESACORDO


Como não sei ao menos sambar

gosto do carnaval, mas nem tanto.

Eu prefiro outra festa esperar,

São João ou qualquer outro santo.


Mas eu também não danço forró,

nem quadrilha ou baião tampouco.

Hei de encontrar diversão melhor

Pra mim tudo isto é coisa de louco.


Mas talvez se dançares pra mim.

Me encantares com teu rebolado.

Me envolveres com seda e carmim

É possível que eu fique calado.


Ou quiçá num milagre sem fim.

Talvez possa até vir a gostar.

Entre beijos,confete e cetim

Você vai me ensinar a sambar.




Wandson Padilha

09/01/2008

Senhor do Bonfim-BA

domingo, 7 de junho de 2009

O Sol da meia noite






Pela janela o Sol já parecia querer se pôr, mas um certo tipo de força um tanto quanto estranha o obrigava a permanecer o maior tempo possível ali, na linha do horizonte. Bem à minha frente, de modo que eu pudesse continuar admirando-o, de modo que ele continuasse me observando, e parecia que assim permaneceríamos dias e dias, nos observando à distancia como um tímido casal com vergonha de se aproximar um do outro. As poucas nuvens que restavam aos poucos se afastavam como se o Sol, rei absoluto, ordenasse a todos os seus súditos que abrissem espaço para o nosso inevitável encontro. O mar a minha frente fizera cessar suas constantes ondas e parecia ter se transformado num tapete, me convidando a caminhar ao encontro daquela luz fascinante. E aquele instante parecia se tornar eterno. Os girassóis não mais girariam e a lua seguiria surgindo, se escondendo e ressurgindo, só para de longe observar com uma pontinha de ciúme aquele belo romance que acabara de surgir. Sim, eu já fora um dia um tanto quanto apaixonado por ela ,e a minha recente nova admiração não diminuiria o que sentia por ela. Mas o que nos obriga a amar exclusivamente uma única pessoa pela eternidade?


O dia já começava a nascer novamente e o Sol nem se quer se deitara para dormir, continuava ali, naquela doce e estranha brincadeira comigo. Os jornais já anunciavam as mais mirabolantes explicações para aquele estranho fenômeno. Nas bancas de jornais as manchetes anunciavam: O Dia em que o Sol não se pôs. As pessoas comentavam assustadas pelas ruas "É o fim do mundo", outros apenas respondiam "Que nada, isso é efeito do aquecimento global". E ali parado eu permanecia, rindo por dentro por ser o único a saber o que realmente acontecia. Com um orgulho inebriante e egoísta de quem jamais permitiria ao Sol novamente se pôr...