sábado, 29 de novembro de 2008

DESCULPAS

Não enxergava nada, mas era isso que queria,permanecer naquele quarto escuro o tempo que fosse necessário para ver se ao menos assim, sem enxergar nada ali fora, enxergaria algo por dentro.
Há tempos não olhava para dentro, e agora que parava pra pensar a respeito disso sentia medo, medo de encontrar algo que tentara afastar toda a vida: a mudança.
Na TV do vizinho(alta como sempre), algum programa daqueles com entrevistas que todo mundo está cansado de assistir, e que mesmo assim continuam assistindo porque "precisam se manter informados", repetia a todo momento que o mundo se tornava menor a cada dia, para ele ocorria o inverso,o mundo se tornava grande demais e não conseguia impedir que isso acontecesse. Já não conseguia abraçar o seu antes tão pequeno mundo com braços e pernas, com toda a naturalidade que antes lhe era características.
Queria voltar no tempo, fingir que Raul Seixas mentia quando dizia ao seu ouvido: Eu tenho uma porção de coisas grandes pra conquistar e eu não posso ficar aqui parado!
Já não queria mais lutar por tantas coisas grandes, não por medo de não conseguir , mas pelo medo de perder as coisas pequenas que conquistara sem nenhum esforço e que lhe pareciam tão melhores do que tudo aquilo. A simplicidade de simplesmente viver, essa sim por mais redundante que fosse lhe encantava e já sentia saudades de viver assim, saudades de não parar para pensar no futuro, porque o presente estava bem ali e passa sem que percebesse que este já era o futuro daquele passado onde vivia o presente sem pensar no futuro, passado esse, que agora lhe enchia de saudade e melancolia...
Sentia-se distante de todos, até mesmo de si, ou melhor, principalmente de si próprio. Queria pedir desculpas a todos aqueles a quem abandonara durante os últimos meses. Acima de tudo, queria pedir desculpa a sua própria sombra...

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Sim , ele infelizmente entrou de gaiato num navio, e agora aquilo não saía de sua cabeça.
Precisava estudar, precisava se concentrar para alem de tudo não precisar permanecer por mais seis meses naquele lugar que já lhe trazia lembranças confusas e de indignação.
Porque simplesmente não permanecera quieto em seu canto? Porque decidira perder suas noites de terça feira dentro daquela sala, sem objetivo algum?
Sim, ele tinha um objetivo!!! Sua ideologia o levava até ali e por mais que ele lutasse e tentasse afirmar que não, se sentia atraído por aquilo. Era inevitável...
Mas o fato ocorrido no dia anterior lhe fazia duvidar de certas pessoas, sabia que a confusão não acabara por ali e que a partir de agora ele seria envolvido cada vez mais naquela situação, caberia a ele decidir, se deixaria envolver e seguiria com seus principios ideologicos, ou jogaria tudo para cima e simplesmente deixaria as coisas caminharem com suas próprias pernas?....
Dúvida irritante e inquietante que o perseguiria madrugadas adentro...
Preferiu tomar um suco de laranja....