terça-feira, 14 de outubro de 2008

E Quando o tempo não quer passar...


O vento gelado do ar condicionado batia diretamente sobre sua cabeça.Mas pouco importava, há tempos ele estava meio gelado mesmo,ou ao menos tentava estar.Ao longe alguma voz falava algo sobre débito cardíaco, resistencia vascular periférca e tantas outras coisas que pouco lhe importavam naquele instante.Pra falar a verdade já estava de saco cheio daquela aula.
Sobre a cadeira alguns numeros escritos; método aprendido algum tempo atrás para fazer a aula passar mais rápido.Entretanto, o método não surtia mais efeito, será que era ele que havia mudado ou alguma coisa estava faltando?Talvez não fosse o método que fizesse o tempo passar mais rápido,mas sim a presença daqueles cabelos ondulados ao seu lado,as longas conversas que o distraíam por horas que pareciam minutos.
E há quanto não se viam? Meses que pareciam décadas(Einstein realmente estava certo sobre a relatividade do tempo).Não tinha a menor noção de onde tal criatura pudesse ter se enfiado nos últimos meses, soube que havia se mudado. Para onde?Não sabia.Mas pouco importava,a unica importancia é que ela agora estava distante, e era isso que não lhe saía da cabeça.
E a voz tão ao longe continua a falar insistindo em querer traze-lo de volta a uma realidade que ha dias ele tenta afastar:-Efeito Starling,nó sinusal,barorreceptores....
Sente uma imensa vontade de gritar, de sair dali e procurar um lugar onde pudesse se deitar e permanecer por um longo tempo a observar o passeio das nuvens sobre o azul do céu,o vento gelado a balançar os seus cabelos. Fechar os olhos e sentir trazido pelo mesmo vento aqueles belos cabelos ondulados baterem em seu rosto.Sentir novamente o arrepio que sempre sentia ao encontrá-la.Mas sabe que é impossível,será obrigado a aturar por pelo menos mais duas horas os efeitos da pré e pós carga,terá que aprender que a partir de agora o desmaio não é mais desmaio, é uma "síncope".

Tinha vontade ele mesmo de ter uma síncope...

domingo, 12 de outubro de 2008

ENCANTO

E cada vez que conversavam, ele se encantava ainda mais por ela.
Ela parecia perceber e talvez por isso lhe dava pistas de que gostava daquela situação.
Será que ela realmente percebia alguma coisa? Será que ela realmente gostava ou aquilo não passava de um transe provocado pela imaginação louca que a solidão vinha lhe presenteando desde algum tempo?
Não sei. O que sei é que ele queria acreditar que aquilo fosse verdade e se esforçava para acreditar nessa talvez “falsa realidade”.
Há tempos buscava um amor platônico como aquele e agora que a vida lhe presenteara com tal ,ele parecia atônito, não sabia bem como agir.
Afinal , nunca fora realmente bom com aquele tipo de situação e cada vez que era obrigado a enfrentá-la acabava enfiando os pés pelas mãos, as mãos pelos pés, os braços pelas pernas e tudo mais que pudesse atrapalha-lo acabava acontecendo.
Fazia comentários pertinentes, entretanto extremamente desnecessários à situação. Também não sabia se isso era só uma falsa impressão provocada por sua paranóia sem fim.
Estava louco para voltar para casa e se afastar daquela que provocava todo aquele misto de sentimentos dentro dele. Entretanto seu coração parecia atraí-lo para perto dela e ele procurava adiar o máximo possível o momento da “separação”.
Queria ser um poeta, escrever a ela coisas bonitas que tocassem seu coração tão belo.
Mas tinha medo, medo de estragar algo que lhe agradava tanto, afinal de contas ele tinha o péssimo defeito de confundir amizade com outros tipos de sentimento, mas sempre se apaixonava por pessoas que lhe serviam de exemplo, pessoas que admirava muito e pessoas de quem tinha vontade de se parecer ao menos um pouco.
Era extremamente confuso, só queria sonhar, e talvez ela o ajudasse.......